A semente de chia é a nova “comprovação” da ciência em termos de
alimento saudável. Por essa razão ela vem aparecendo em várias
reportagens e blogs sobre alimentação. Os principais
benefícios já relatados são, principalmente, sobre as sementes da planta
Salvia Hispanica ou chia, como está sendo mais chamada.
A Salvia Hispânica é uma planta originária da região andina do México
e da Guatemala, com sementes ovais e pequenas de coloração variada
(preta, marrom escura, branca ou cinza). Reza a lenda que os guerreiros
maias consumiam apenas um punhado de suas sementes e guerreavam por 2
dias – por essa razão o nome chia, que significa força. Eles valorizavam
tanto essas sementes que a utilizavam também como moeda.
Lendas à parte, os estudos de composição demonstraram que a semente
parece ser uma boa fonte de ômega 3, antioxidantes, fibras e
aminoácidos. Segundo a literatura, a composição varia de acordo com a
origem da semente. Por exemplo, o teor proteico e a concentração de
ômega 3 é maior nas sementes que crescem em regiões mais secas.
O perfil de aminoácidos (Isoleucina, Leucina, Valina, Lisina,
Metionina, Fenilalanina, Treonina, Triptofano) da semente de chia
permite que ela seja uma boa opção como fonte proteica.
Outra vantagem da semente é sua atuação no estômago, parecido com as
mucilagens, que promove uma conversão mais lenta de carboidratos em
açúcar, podendo ser, dessa forma, utilizado no auxílio do controle da
glicemia sanguínea. Um estudo canadense1 evidenciou um auxílio na
manutenção de um bom controle glicêmico e lipídico em pacientes
portadores de
diabetes tipo 2, previamente compensados.
Já um estudo feito em ratos2 mostrou que animais submetidos à dieta
rica em sucrose, porém recebendo semente de chia, não desenvolveram
hiperlipidemia nem resistência insulínica, mas os níveis glicêmicos não
se alteraram. Os autores acreditam que isso seja decorrente da presença
de ácido linolênico.
Por apresentar uma boa concentração de ácido linolênico, consiste em
uma ótima fonte vegetal de ômega 3. Apresenta ainda os seguintes ácidos
graxos: alfa-linoleico, oleico, esteárico, palmítico. Na literatura há
estudos evidenciando que a suplementação de 3,7 a 4 gramas/dia reduziu a
pressão arterial sistólica, níveis de PCR ultra-sensível e fator de Von
Willebrand, além de elevar os níveis plasmáticos de EPA.
Por ser uma das principais fontes vegetais de ômega 3, torna-se um
alimento auxiliar no tratamento de pacientes portadores de alergias,
dislipidemias, insuficiência coronariana, risco cardiovascular elevado,
diabetes tipo 2, situações em que há presença de resistência insulínica
e/ou distúrbios endócrinos. Entretanto, não há estudos científicos
mostrando resultados em obesidade.
A presença de alguns antioxidantes (ácido clorogênico, ácido cafeico,
miricetina, quercetina e flavonoides) torna a semente de chia um
alimento com potencial anti-inflamatório, podendo ser utilizado em
situações caracterizadas pela inflamação crônica. Estudos
epidemiológicos indicam que um consumo adequado de flavonoides pode
atuar positivamente na prevenção de algumas doenças, como as
cardiovasculares, embolia, câncer de pulmão e de estômago.
Com relação à sua estabilidade, a oxidação na chia é de mínima a
nula, mantém um grande potencial dentro da indústria alimentícia,
comparada com outras fontes de ácido graxo alfa-linolênico, como a
linhaça, que mostra uma decomposição rápida devido à ausência de
antioxidantes próprios da semente.
Além do perfil de ácidos graxos, a chia possui boa concentração de
minerais (potássio, cálcio, ferro, magnésio e fósforo), além de
vitaminas (vitamina A, tiamina, riboflavina, nianica, cobalamina, ácido
ascórbico e alfa-tocoferol).
Diante de todas essas vantagens, esse alimento pode ser visto como
mais um coadjuvante na busca pela saúde e não como redentor e único
responsável por um bom estado de saúde. Afinal, saúde é um estado
dependente de vários fatores.